
Eu gosto:
-bicudos quentes
-a minha boneca preta
-ler o jornal no chao
-ir buscar livros à biblioteca
-brincar com as bonecas de papel
-andar no triciclo do meu mano
-passar ferias na Casa Grande de Cimo de Vila
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Créditos
...quando o meu irmao nasceu, eu deixei de comer, talvez por ciumes, eu tinha apenas 1 anito e pouco
A minha tia, que nao tinha filhos, mas tinha uma paciência levada da breca, começou a levar-me lá para casa e quando me entregava dizia: ela comeu e bem! e a minha mãe: nao entendo, ela aqui nao come nada...
Foi assim que eu comecei a ir comer todas as noites a casa dos meus tios...
Hoje invadiu-me a nostalgia. Talvez tenha sido o nevoeiro o responsável.Dizem que faz mal aos ossos - o nevoeiro, não a nostalgia, claro.
Em criança adorava o nevoeiro.
Eram dias de um fresco/suave. Ficava como que numa terra de esconde-esconde. Quanto mais cerrado mais interessante. Na minha mente não havia lugar para males de ossos, acidentes de viação...nada disso. Às vezes sentia-me quase invisível – tive sempre uma fértil imaginação.
Cheguei a imaginar-me num mundo de nevoeiro. Tentava fazer desenhos no ar, como o fazia na vidraça embaciada, mas não surtia qualquer efeito.
Era um tipo de algodão doce imaginário. Apetecia-me pegar em pedaços e degustá-los suavemente, ficando com aquela agua doce na boca até ele se desfazer. Depois, discretamente limpava os dedos ao vestido, não sem antes os ter lambido muito bem, não fosse perder-se algo. A seguir vinha a sede louca fruto do excesso de açúcar.Com sorte, talvez me dessem um gelado (sorvete) de banana. Idolatro o chocolate, mas aqueles gelados... eram assim um misto de leite com banana - tipo batido - mas em gelado, e de uma textura aveludada. Deveria ser proibido perderem-se esses sabores que nos marcam a infância.
Também deveria ser proibido ficarmos órfãos.
(para os meus pais, com saudades)
